Supermercado mais barato
Jornal da Tarde - Seção: Economia, 13/06/2007
Consumidor chega a economizar 20% se comprar produtos que levam o próprio nome do mercado
MARILENA ROCHA
Uma boa notícia para o consumidor que preza cada centavo que ganha. Um carrinho de compras só com marcas próprias pode ficar em média 20% mais barato do que um que só tenha produtos de fabricantes consagrados. A marca própria, que hoje representa 5,5% do faturamento total das grandes redes de supermercados, tem ainda muito espaço para crescer e levar o Brasil a se equiparar a países europeus, onde elas chegam a representar quase 40% dos produtos à venda.
As afirmações são de Neide Montesano, coordenadora de Indústria do Comitê de Marcas Próprias da Associação Brasileira de Supermercados (Compro). “A marca própria está mais presente nas grandes redes de supermercados, que atingem, sobretudo, as classes A e B. Ainda há um gargalo em termos de quantidade, podendo e devendo chegar ainda aos pequenos e médios pontos de venda.”
Além dos produtos alimentícios, a marca própria está presente nos cartões de crédito, cartões de loja, em confecções, drogarias, na construção civil e até em postos de gasolina, garantindo combustível mais em conta para quem vai abastecer o carro, por exemplo, numa unidade do Carrefour ou do Extra.
Segundo a especialista, a marca própria ganhou maior importância pelo supermercadista a partir de 1995. “E quem ganhou foi o consumidor porque marca própria passou a ser sinônimo de produto justo e honesto. Ou seja, as empresas passaram a cobrar maior qualidade de suas marcas próprias, garantindo um crescimento sustentado. É a chamada qualidade percebida em que, por exemplo, a água sanitária de marca própria tem o mesmo desempenho de uma consagrada.”
Se na média geral do setor as marcas próprias estão em 5,5% do faturamento, algumas redes superam esse porcentual com folga. É o caso do Grupo Pão de Açúcar, que reúne mais de 3.500 itens, que representam uma participação no faturamento total de 8,3%. A perspectiva é que esse número chegue a 8,8% em dezembro e a 15% até 2010. No ano passado o grupo lançou cerca de 500 produtos e prevê para este ano mais 700 novos itens desse tipo.
O Carrefour está reformulando o segmento, enquanto o Wal-Mart garante que o crescimento de vendas de produtos de marca própria já chega à casa dos 25%. Para isso reúne hoje 19 selos de marcas próprias, lideradas pela Great Value.
A preocupação com a qualidade, entretanto, tem se mostrado uma faca de dois gumes, já que tem contribuído para elevar alguns preços. No levantamento do JT em cinco supermercados essa tendência ficou clara. No Dia %, o pacote de papel higiênico com quatro rolos custava R$ 2,39. Perdeu para a marca própria do Carrefour que tinha oito rolos a R$ 2,85. Mas, em nome da qualidade, o do Dia % era de folha dupla. Ou ainda, a caixa de ovos Great Value do Wal-Mart ganhou em preço mais alto: R$ 3,48, ante os R$ 2,19 cobrados no Compre Bem. E com um agravante: tinha só dez ovos e não uma dúzia como nos demais mercados. Justificativa para a distorção: o ovo é especial para a saúde, contendo ômega 3.
Dona de casa escolada, Neusa Angeloni Garcia, 61 anos, diz que leva três horas para fazer as compras do mês no supermercado. “Perco tempo sim, mas preservo o meu dinheiro, pois fico atenta a três exigências: menor preço, melhor qualidade e maior prazo de validade.” Neusa diz que tem o hábito de levar diversos itens de marca própria. “A qualidade é a mesma e o preço menor.”
A vendedora Vera Lúcia Bergamin, 55 anos, diz que as marcas próprias entram em sua casa diretamente para a despensa da cozinha. No entanto, ela faz uma ressalva: “Só alimentos, como leite, óleo, iogurte e biscoitos. Esses levo e gosto. Mas na área de produtos de limpeza não arrisco. Só compro o que conheço, porque se comprar errado, terei de gastar em dobro”.
Para esticar o dinheiro do marido, a dona de casa Cristina Moura da Cruz, 32 anos, diz que já está acostumada a comprar alimentos de marca própria. “Só não levo o que vem na cesta básica, o resto procuro pelo menor preço e que não seja ruim. Tenho me dado bem com marca própria de leite, creme de leite, leite condensado e iogurte. O marido aprova”, diz ela.
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