Redes de varejo agora brigam nos genéricos
O Estado de São Paulo, 14/06/2007
Wal-Mart, Pão de Açúcar e Carrefour disputam clientes em suas farmácias
Por Vera Dantas
A disputa das grandes redes de supermercados começa a se deslocar das gôndolas para os corredores de serviços. O Wal-Mart anunciou ontem um programa para reduzir o preço de 404 medicamentos genéricos na sua rede de 116 farmácias. Os descontos médios giram em torno de 50% a 60% em relação ao remédio de referência, mas podem chegar a até 88% na comparação com o preço máximo do mercado. Os preços dos genéricos nas farmácias da rede irão de R$ 1,90 ao teto de R$ 9,90.
'Não se trata de uma campanha com tempo determinado, mas de um programa permanente alinhado com nosso objetivo de reduzir custos para melhorar a qualidade de vida dos nossos consumidores', disse o presidente do Wal-Mart, Vicente Trius, ao lançar o programa. No Brasil, o genérico tem cerca de 14% de participação no mercado de medicamentos em volume de vendas e apresentou um crescimento de 20% no faturamento em 2006, ante 7% da indústria de remédios em geral. O mercado movimentou mais de US$ 1 bilhão no ano passado.
Além das drogarias e farmácias independentes, o Wal-Mart vai enfrentar seus maiores concorrentes - Pão de Açúcar e Carrefour - nessa disputa. O Pão de Açúcar , há seis anos com farmácias próprias, tem hoje uma rede de 134 lojas e diz oferecer 1.010 medicamentos por até R$ 9,90, sendo 600 genéricos. O Carrefour, mais novo no mercado de farmácias, está com 67 lojas e pretende fechar o ano com 102 unidades. Na rede, a participação dos genéricos no faturamento está em torno de 12%. O grupo não pretende lançar nenhuma campanha específica para combater a iniciativa do Wal-Mart. 'Nosso foco é sempre no preço', diz o diretor de serviços da rede, Alexandre Ribeiro. 'Se algum consumidor aparecer com um medicamento com preço mais baixo, cobrimos a oferta na hora.'
O projeto do Wal-Mart foi desenvolvido com base na experiência nos EUA, onde os preços de 330 genéricos foram reduzidos para US$ 4. 'O programa foi lançado em 49 Estados em outubro e significou uma redução de mais de US$ 350 milhões no custo saúde para a população', disse o diretor da área de Farmácias do Wal-Mart, Elcio Bello. Nos EUA o volume de vendas aumentou 60% com o programa, que já foi levado para Porto Rico e México.
No total, as farmácias do Wal-Mart vendem cerca de 600 medicamentos genéricos, com descontos de 20% a 30%. 'Fizemos parcerias com diferentes laboratórios para aumentar os descontos, mas o investimento é muito mais do Wal-Mart', disse Trius, sem revelar valores. Ele descartou a possibilidade de a empresa vender abaixo do custo para chegar a essas reduções. 'Não vendemos abaixo do custo', disse. 'O programa é sustentável porque está de acordo com a estratégia do grupo.'
O Wal-Mart vai investir cerca de R$ 250 mil na divulgação do programa, que contemplará sobretudo medicamentos de uso contínuo como os destinados ao controle da hipertensão e diabetes, além de antibióticos, analgésicos e antiinflamatórios. As 116 farmácias do Wal-Mart faturaram em 2006 cerca de R$ 300 milhões - a receita total do grupo foi de R$ 12,9 bilhões. Hoje, os genéricos respondem por 7% das vendas das farmácias da rede. A estratégia é chegar a 12%.
Procurada para se pronunciar sobre o crescimento das grandes redes varejistas nesse mercado, a Associação Brasileira de Redes
de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) preferiu não se manifestar.
NÚMEROS
134 farmácias
próprias tem hoje o Pão de Açúcar, que oferecem 1.010 medicamentos por preços de até R$ 9,90
116 farmácias
tem o Wal-Mart, que reduziu o preço de 404 genéricos
67 farmácias
próprias tem o Carrefour - o plano é chegar a 102 ainda este ano
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