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A Lógica da Simplicidade
02/12/2009

Algumas regrinhas básicas - que tanto se encaixam no rol das regras de etiqueta quanto nas regras das boas práticas de relacionamento e da boa convivência - não estão presentes no nosso cotidiano. Salvo raras exceções, o brasileiro tem muita dificuldade de dizer "não" e por isso acaba, na grande maioria das vezes, frustrando o seu interlocutor.

Não retorna ligações, não responde e-mails quando o assunto envolve solicitações , opiniões ou convites aos quais prefere declinar ou não se expor. Prefere, assim, não responder a dizer "não", "agradeço", "não posso ajudar", "não desta vez".

Antropologicamente o brasileiro é de longe o que mais dá importância aos relacionamentos pessoais. É cultural. Nada de "cold call" como os americanos.

É sempre necessário que você seja apresentado por alguém de relacionamento comum para que você consiga um contato ou entrevista importante: alguém terá que dizer ao seu novo interlocutor o quão interessante, inteligente, dedicado e confiável você é para que você receba as honras da casa. Mesmo que de fato não seja obrigatoriamente a verdade.

Não obstante esse aspecto, onde os relacionamentos se tornam sempre fluidos e até íntimos, vivemos ao mesmo tempo situações onde as relações no dia a dia não são nada simples. Segundo Paul Evans, especialista em gestão de talentos do INSEAD, os brasileiros adoram teorias complexas e grandes idéias. Pensar grande! Não importa o quanto possa parecer difícil desenvolver determinada idéia. Por isso têm dificuldade em traduzir as idéias em ações práticas. Isso é também cultural.

Segundo Domenico di Masi, somos fantasiosos por excelência. E criativos na geração de idéias. Mas muito pouco efetivos e persistentes para fazer com que as coisas aconteçam. Domenico define esse comportamento como fantasioso e não criativo. Nessa sua avaliação, é bastante contestável a idéia de que "O Brasileiro é Criativo."

A simplicidade requer concentração, raciocínio, habilidade e assertividade. O chamado jeitinho brasileiro não é na realidade uma forma criativa de solucionar os problemas. É quando muito uma maneira esperta e oportunística de tirar partido de uma situação existente, geralmente em benefício próprio. Não preza pelo coletivo. Não explora criativamente as opções. Não gera novos conhecimentos e não incentiva a colaboração. É a grande sacada!

Não tem nada a ver com a criatividade. Segundo a Professora e antropóloga Lívia Barbosa o jeitinho brasileiro é a arte de ser mais legal que os outros. É individual, é competitivo. Ser um bom ouvinte, estar atento às demandas do seu interlocutor, entender a mensagem independentemente da forma com que ela é passada é um exercício de simplicidade. E a resposta pode ser um "sim" ou um "não".






Por ADOLFO MENEZES MELITO: Diretor de Negócios, membro do Conselho de Administração. Bacharel em Ciências Econômicas pela Fundação Santo André, MBA pela ESPM/ITA.

    

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