STAIRWAY TO HEAVEN - o caminho do sucesso profissional
14/03/2009
Uma das maiores dúvidas que certamente ficam dentro dos meios corporativos é saber, com a maior precisão possível, quais os caminhos e atalhos para o desenvolvimento de uma carreira que fique muito perto do sucesso.
Olhando apenas para o senso comum, ou melhor, perguntando para a mãe da gente, ela sempre dizia: “estuda, moleque, senão você não vai ser nada nunca na vida!”. Aí, vamos para a escola, depois faculdade, pós graduação, MBA e tudo mais o que vivem inventando pra gente saber das coisas.
Nesse meio tempo – geralmente entre a faculdade e o pós – vamos para o mercado de trabalho. Quando a família tem uma situação financeira melhor e consegue investir nos filhos, eles chegam com dois ou três idiomas fluentes, experiência internacional e muitos com um pós graduação, mesmo sem ter a tal da experiência profissional. A grande maioria se dá bem nos processos de trainee, e muitos se revoltam quando não são promovidos uma vez a cada seis horas.
Outros – a imensa maioria na qual eu me coloco – vão para as empresas com uma faculdade e seja o que Deus quiser! Quando eu fui para o mercado de trabalho, tinha feito faculdade de filosofia, o que queria dizer no banco que eu trabalhava faculdade Nenhuma. Aí, alguns têm uma certa “sorte”, e se destacam. Outros nem tanto, ficam andando de lado, estagnados ou regridem na carreira.
Para entender melhor resolvi estudar um pouco o que significava essa tal “sorte” no mundo corporativo, conversando com inúmeros gerentes e gestores das mais diversas áreas.
Afinal, quais são as qualidades de quem faz sucesso? O que faz uma pessoa conseguir se destacar?
Acho que a melhor descrição é uma escada, com dez degraus. Para subir o segundo, necessariamente você precisa passar pela experiência de escalar o primeiro. E essa escada começa com:
Primeiro degrau: Conhecimento Técnico e Autodesenvolvimento
O conhecimento técnico é o básico. Sem ele não é possível entrar em uma empresa em um processo seletivo sério. Justamente por ser o primeiro degrau, é facilmente alcançado por outras pessoas. Nesse ponto, entra o autodesenvolvimento, que consiste em buscar de forma contínua o complemento para a contínua atualização.
E não bastam apenas cursos de especialização. Jornais, revistas, sites e principalmente livros. Uma dica que vale ouro é procurar o autodesenvolvimento sem que ninguém cobre. Isso mostra pró-atividade e preocupação em melhorar sempre.
Dentro dessa dia, é ótimo buscar cursos de curta duração e palestras específicas, focadas. Se você já conhecer bem o tema, melhor ainda buscar coisas que complementem. Um bom exemplo é a ajuda que a psicologia dá nos processos de gestão de equipes. Psicologia é uma coisa, Recursos Humanos é outra, mas são ciências que se complementam. Os profissionais de destaque em RH estudam diversos temas ligados à psicologia para desenvolverem autoconhecimento.
Segundo degrau: Identificar suas aptidões e pontos fortes
Eu não conheço um único ser vivente que quando tinha 16, 17 anos tinha absoluta convicção do que queria ser quando crescer. Depois que a gente termina a faculdade, ou começa e pára várias delas, temos muitas vezes mais dúvidas que certezas.
Entre aí a segunda parte: para quais coisas você tem muita facilidade? Você é elogiado por fazer exatamente o que? O que tem mais curiosidade em saber? O que guarda na cabeça e não se esquece?
Não é fácil responder “de pronto”, e muita gente não faz uma coisa fácil, que ajuda muito: responder essas perguntas por escrito! Quando a gente escreve, é obrigado a refletir sobre isso. Não é papo de filosofia. É papo de carreira.
Descobriu para o que você serve? Esses certamente são os pontos fortes. Agora, você deve reforçar esse conhecimento. Fazer cursos, ler bastante e praticar mais ainda. Tem facilidade de comunicação? Não perca uma única oportunidade para falar em público. Está curioso porque o PIB da China vai encolher? Leia tudo e vá estudar economia. Quando a gente gosta de uma coisa, procura fazer cada vez melhor, porque somos os maiores críticos do nosso trabalho. Ficamos em evidência de forma positiva, e, olha que sorte: somos promovidos ou recebemos propostas boas de emprego. Que sorte, né?
E com essa sorte, temos o:
Terceiro Degrau: Criatividade e Inovação Prática
As empresas estão cada vez mais malucas com a idéia de serem imitadas pelos concorrentes, competir com preços cada vez mais agressivos e se matam para se diferenciar em seus mercados.
O que torna a competição possível é quando a empresa dá aos funcionários o espaço necessário para criar e fazer coisas inovadoras. O funcionário cria, dá certo e ela se destaca. Quando a empresa não faz isso, ela copia descaradamente os outros. Alguns chamam de mediocridade. Então é possível afirmar que há empresas que se destacam por dar aos funcionários a possibilidade de criar, e há as empresas medíocres.
Agora, há um ponto importante aqui: embora muitas empresas busquem essa criatividade, muitos funcionários não entendem bem e ficam dando palpites ao invés de idéias: “porque não trocam de fornecedor?” “manda o cara do financeiro embora que resolve tudo!” “também, com aquela estratégia de marketing não vamos pra lugar nenhum!”. Ou seja, palpiteiros e futriqueiros.
O que a empresa quer é gente que dê a sugestão com pé e cabeça. Que calcule o ROI (Retorno sobre investimento), desenvolva a estratégia e o plano B, enfim que pense concretamente nos detalhes. Quando se faz isso, a empresa vê que o funcionário pensa diferente, ou ainda: ele pensa, não é um simples “fazedor”, mas um “estrategista”. Somos criados (ou educados na escola) para fazer, mas pouquíssimos passam para o estágio de refletir concretamente sobre uma estratégia. Os poucos que fazem isso se destacam. Você faz isso?
Aliás, quanto ganha um fazedor? E um estrategista?
Quarto degrau: Relacionamento Interpessoal
Antes de mais nada, isso não é marketing pessoal. Relacionar-se bem com as pessoas significa compreender os que são diferentes da gente, e, principalmente: agregar valor para as pessoas do nosso relacionamento.
E isso é fácil para uns, impossível para outros. Relacionar-se bem significa, pela ordem:
1. Prestar atenção genuína no que o outro fala
2. Interessar-se pelo que o outro se interessa
3. Valorizar o que o outro valoriza
4. Quando souber de algo que é importante para o outro, compartilhar
5. Perguntar sobre coisas que o outro sabe, sobretudo se ele gostar de falar sobre esse assunto
6. Respeitar as diferenças
7. Ser educado e humilde com TODOS
8. Ter senso de humor, sobretudo em situações de mais tensão
9. Não ter grandes variações de humor
10. Fazer contatos periódicos simplesmente para trocar idéias.
Falta tempo para fazer isso? Não faz mal. Fique sem, pode ser que uma rede de relacionamentos nunca faça falta, não é?
Se bem que diversas pesquisas apontam para o fato de que aproximadamente 80% das pessoas são contratadas por indicação. Sem contar que amigos de verdade dizem o que você precisa ouvir e não o que quer ouvir. Assim, seus pequenos defeitos podem ser corrigidos se fizer sua parte.
E vamos para o
Quinto Degrau – Lidar com suas próprias emoções
Naturalmente, temos emoções e sentimentos durante o dia de trabalho. Os mais comuns são a raiva, medo, tristeza e alegria.
Não vou ficar explicando como se tem raiva – se você trabalha há pelo menos 5 horas em qualquer lugar deve ter sentido ou presenciado isso – mas quero me concentrar em duas coisas:
Primeiro: o medo ao qual me refiro não é de ser assaltado ou demitido. Antes disso, de chegar atrasado, não saber o que falar na hora que o chefe pergunta alguma coisa, não conseguir bater as metas, enfim, o medo fica no dia a dia.
Segundo: essas emoções são contagiantes. Uma pessoa com raiva, medo ou tristeza consegue arrastar todos os colegas para o lodo fedorento que ficam os sentimentos ruins, transferindo uma parte para o outro e criando uma coisa chamada “clima”. Já ouviu falar em Clima Organizacional? Então, é feito de pessoas que contagiam as outras com um pouco que elas têm. E muitas têm a outra emoção, que também é contagiante: alegria.
Se não podemos escolher o que sentimos, podemos escolher o que contagiamos. E as poucas pessoas que conseguem fazer isso bem, se destacam muito nas suas empresas.
Sexto degrau: Lidar com as emoções dos outros
Esse é outro drama. A pessoa com quem você precisa resolver aquele problema ou pedir aquele favor está com uma daquelas emoções destrutivas que acabamos de descrever.
Cabem algumas dicas simples:
1. Respeitar o que o outro está sentindo. Você pode não concordar, mas o outro deve lá ter os motivos dele.
2. Não confronte diretamente. É melhor esperar outro momento do que eliminar a possibilidade de novos contatos.
3. Não lembre o outro o que ele tem. Expressões como “você está nervoso hoje?” com absoluta certeza deixa o outro nervoso na hora, ou ainda mais nervoso. Volte a regra 1 e respeite o que ele tem. No máximo, diga que ele pode contar com você para o que precisar, quando ele precisar.
Não vale apenas para os raivosos, mas os tristes e tensos também. Essas dicas não vão resolver tudo, mas o principal é não entrar na onda. Depois que se acalmam, as pessoas vão se lembrar que você identificou o que elas sentiram e vão respeitar você. Com sorte, até desculpas eles vão pedir.
Sétimo degrau: Influenciar e argumentar
Conceitualmente, influenciar significa que sua opinião é tão importante, que acaba convencendo as outras pessoas. Para influenciar, você precisa pensar em duas coisas: conhecimento técnico e relacionamento interpessoal.
Como já escrevemos, só o conhecimento não adianta. Ele deve estar acompanhado de habilidades ligadas ao relacionamento para que o argumento esteja dentro do nível de apreensão dos seus interlocutores. Em outras palavras, a linguagem deve ter a simplicidade adequada para cada situação.
A regra principal é: o argumento deve ser baseado em fatos e dados, e a forma de comunicar não pode ser arrogante, que não leve em conta o padrão de conhecimento do outro e principalmente a cultura na qual você está inserido.
Dessa forma, é preciso sempre procurar a atualização constante de conhecimento, seja ele qual for, e o estudo dos seus interlocutores. Finalmente, não seja bobo de achar que sabe muito de tudo. O conhecimento de todos nós, em qualquer assunto, é muito limitado, e as pessoas que ficam dizendo “eu sei” para qualquer coisa são extremamente mal vistas.
A influência depende muito do grau de confiança conquistado dentro de um tempo específico. Ninguém sai por aí confiando nos outros por nada, e a regularidade da prestação da informação correta, a profundidade nos assuntos e a forma adequada, sempre respeitando o seu interlocutor, é que vai fazer a diferença.
Oitavo degrau: Trabalho em Equipe
Todos os livros de administração de empresas mostram a importância do trabalho em equipe. Diferente de quando eu era criança, hoje meus filhos têm inúmeros trabalhos de escola em grupo, porque existe uma preocupação do ensino fundamental, simulando o que vão encontrar mais à frente.
A maior parte de nós gosta de pessoas, então trabalhar em equipe é fácil, certo? Não! Porque no trabalho existem pessoas parecidas com a gente – os normais – e os diferentes da gente – os chatos – e temos que suportar os chatos reclamando deles para os normais.
O problema que a escola não resolve, e que temos que fazer é justamente aprender com os diferentes. Eles têm defeitos que a gente não tem, mas qualidades que nós não temos. Certamente, habilidades que podem se complementar às nossas. Fazer contato, entender, colocar-se no lugar e extrair o melhor de cada um é justamente o que faz uma equipe fazer a diferença.
Se nós só trabalharmos com pessoas parecidas, como vamos nos desenvolver? O que vamos aprender? Pior, é provável que façamos uma “panela” que impeça qualquer outro diferente da gente de entrar, e passamos a “emburrecer” cada dia mais, na medida em que a inteligência é a habilidade de juntar informações distintas, portanto, diferentes.
Nono degrau: Liderança Positiva
Não se trata de ser chefe, mas de liderar. Ser o catalisador das idéias, ajudar os outros a ajudar você. Algumas coisas ajudam muito para o desenvolvimento da liderança, entre as quais:
1. Ouvir com atenção todos os que estão a sua volta
2. Interessar-se pelos problemas dos outros, dar sugestões práticas quando for o caso, e só escutar quando não houver nada o que fazer.
3. Destacar o lado positivo das coisas, especialmente nos casos onde há mudança, mas sem ser “bobo” e não olhar também os pontos negativos.
4. Identificar os aspectos positivos das situações focando como resolver os problemas, não “oh, vida cruel...” que eles podem causar
5. Nos problemas, não priorizar a caça aos culpados, mas a solução dos problemas
6. Estimular a inovação e a criatividade
7. Delegar, desenvolver o sucessor e identificar os talentos de cada pessoa de sua equipe
Essas são algumas coisas que farão com que você seja elogiado pela equipe. Já ouvi centenas de vezes em minha vida, em dezenas de empresas diferentes, que muitas pessoas não trabalham “para uma empresa”, mas “para uma pessoa especial dessa empresa”. Essa é a diferença entre o líder e o chefe.
Por último,
Décimo degrau: Ser a referência.
Quando se consegue subir todos os degraus dessa difícil caminhada, as pessoas vão olhar para você com aquele ar de “aquele sabe o que faz”, e os novatos vão achar que você tem sorte, bajulou alguém ou “tem as costas quentes”. Você sabe que isso é bobagem.
Não gosto da palavra “sorte” relacionada àqueles que conseguem uma grande carreira profissional. Os que são a referência possuem equilíbrio emocional, conhecimento técnico, parece que estão sempre à frente dos demais, não valorizam pequenos problemas, gosta de ensinar e aprender e são pessoas humildes, com quem você pode contar.
Esse são, de acordo com a opinião de muitos profissionais de recursos humanos, a escada para o céu, ou o paraíso de quem consegue o sucesso profissional. Sempre lembrando que um bom momento na carreira não significa sucesso em todas as situações.
Se você se lembrou de um clássico do rock do Led Zeppelin, foi realmente a idéia. Porque no mundo corporativo existem os que tocam e fazem acontecer, os que só cantam, os que acompanham e obviamente, os que dançam.
Edilberto Camalionte é Diretor da ECS Consultoria e Treinamento e professor coordenador do curso de Inteligência de Mercado da Fundação Instituto de Administração – FIA.
Por Prof. Edilberto Camalionte


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