AS NOVIDADES DA FEIRA DE VAREJO AMERICANA - 98a.NRF 2009
13/02/2009
TRADE MARKETING PRESENTE NA 98ª. NRF SHOW EM NOVA YORK.
O congresso de varejo promovido anualmente pela National Retail Federation (NRF) a federação de varejo americano e que está em seu 98º. Ano foi realizado entre 11 e 14 de janeiro em Nova York e diferentemente dos outros anos ocorreu em um clima de apreensão principalmente dos participantes americanos e europeus em razão dos resultados decepcionantes das vendas de dezembro e das perspectivas de mercado negativas para o ano de 2009.
O congresso contou com representantes de mais de 30 países e teve mais de 150 palestras nos 4 dias, e a área de exposições contou com mais de 500 empresas apresentando seus produtos destinados principalmente à gestão do varejo e à interação com fornecedores e consumidores.
A equipe da Trade Marketing representada pelos profs. Francisco Alvarez e Marcos Carvalho esteve presente com o objetivo de conhecer as novidades e tendências apontadas para o varejo e de preparar uma análise crítica de sua aplicabilidade à realidade de mercado brasileira.
VISÃO GERAL DAS APRESENTAÇÕES
O tom geral das apresentações concentrou-se no tema crise e na perspectiva de como enfrentá-la e de uma forma geral ficou a impressão de que todos “sabem” o que deve ser feito, mas ainda não sabem como deve ser feito.
As palestras tiveram participantes renomados como o atual CEO do WalMart H. Lee Scott Jr. que fez sua última palestra pública nessa função já que está se aposentando neste mes, o VP da JC Penney Mike Ullman, a CEO do Tesco.com Laura Wade-Gery e a CEO para Canadá e Asia da Home Depot Annette Verschuren dentre outros que apresentaram temas relevantes.
Apos quase 20 anos de crescimento constante e de valorização consistente das ações na Bolsa de Valores, os americanos viram a crise de crédito afugentar os consumidores que perderam o poder de se endividar nas compras e ao mesmo tempo o valor da empresa despencar na Bolsa e naturalmente isso causou uma certa paralisia.
Vários ajustes começam a ser feitos e estima-se o fechamento de 76000 lojas no primeiro semestre de 2009, um número impressionante mas que deve ser visto com resalvas primeiramente de forma relativa ao tamanho do varejo americano e por fim tentando entender qual a razão do fechamento das lojas.
Em conversas com executivos locais ficou claro que a gestão do varejo, principalmente das grandes redes, vinha sendo feito mais em função dos resultados das ações na bolsas do que propriamente dos resultados operacionais. O crescimento contínuo com a abertura de novas lojas foi muito valorizado no mercado de ações o que fez surgir novas lojas mesmo deficitárias. A partir do novo ambiente de mercado a gestão se voltou à operação e várias das lojas que serão fechadas, não deveriam sequer ter sido abertas.
Em certo sentido a crise está servindo para tomar medidas de ajustes de lojas e quadros de pessoal que já deveriam ter sido feitos e não em função apenas da reversão de expectativas atual.
Algumas apresentações mais realistas apontaram também a necessidade de analisar a crise e a partir do entendimento do consumidor, verificar quais setores irão sofrer mais e quais irão sofre menos ou eventualmente apenas não crescerão. Fica claro que os setores que dependem de crédito e cuja compra pode ser postergada serão mais afetados. Se espera também uma grande pressão sobre o mercado de alto luxo.
Conforme expressão usada por Tracy Mullin a superintendente da NRF; “it is Chic to be Cheap”
Esta análise mais detalhada pode apresentar oportunidades como mencionou .......CEO do Wal Mart que espera um grande crescimento no segmento de comidas congeladas e artigos de entretenimento para o lar, uma vez que se espera uma grande redução nas idas a restaurantes por exemplo.
Resumindo, o que se vê é que sem dúvida a crise existe, não há certeza de quanto tempo vai durar, ainda pode piorar (it will get worse before it gets better), terá efeitos diferentes nos diversos setores e sem dúvida mostrará quem são os varejistas que estavam bem estruturados em termos de gestão e aqueles que vinham navegando nas águas favoráveis de forma desorganizada.
Um caso sintomático é a falência da rede Circuit City atribuída à crise se contrapondo à Best Buy, que é uma rede concorrente direta e que está se preparando para comprar (por um preço bem atrativo) os melhores pontos da massa falida. Esta falência é um problema da crise ou do gerenciamento? Acredito que todos tem a resposta.
INOVAÇÕES TECNOLÓGICAS
As inovações tecnológicas apresentadas neste ano foram mais fruto de pequenas evoluções do que vinha sendo demonstrado nos anos anteriores do que propriamente algo totalmente inovador.
As inovações estão basicamente concentradas de um lado nas áreas de gestão operacional e supply chain managemente e do outro nas interações com o consumidor e no Shopping Experience.
Nas áreas de supply chain e gestão operacional sente-se que os softwares já estão bem consolidados e há uma ampla gama de opções que podem ser escolhidas todas já testadas e implantadas.
Já na área de shopping experience e interação com o consumidor, a tecnologia se concentra nas aplicações do RFID (a etiqueta inteligente), das telas sensíveis a toque (semelhante à tecnologia do Iphone), das interações com os celulares por meio de etiquetas 2D ou uma nova etiqueta lançada pela Microsoft e que pode ser vista em detalhe no www.microsoft.com/tag, de imagens holográficas, de várias tentativas de soluções para ativar os cinco sentidos, de interações lúdicas com os consumidores por meio de equipamentos interativos e de outros protótipos de interação. No final fica a sensação de que grande parte do que está sendo demonstrado é muito interessante e curioso, mas fica difícil visualizar uma aplicação prática.
O que chamou a atenção foi o aumento de empresas oferecendo soluções de contagem de tráfego tanto de entrada como de movimentação pela loja e de tempo gasto em cada área da loja, com as mais diversas tecnologias. É algo para ser observado.
PRINCIPAIS TEMAS ABORDADOS
Esquecendo-se do problema da crise os temas que dominaram o evento e que foram mais relevantes foram concentrados nas áreas de:
- SHOPPING EXPERIENCE
- VAREJO MULTICANAL
- VAREJO VERDE
- CONTROLE OPERACIONAL E DE INVENTÁRIO
- DESENVOLVIMENTO DA EQUIPE DE VENDAS.
Estes temas serão tratados com mais profundidade nas próximas newsletter que serão enviadas durante os próximos meses.
RANKING DOS VAREJISTAS
Neste ano como é de costume a Deloitte Touche Tohmatsu representada por seu diretor Ira Kalish juntamente com a Store Magazine apresentou as 250 maiores varejistas por faturamento em 2007. Seguem os Top Ten do setor
Rank. Empresa Origem Faturamento 2007 (US$ milhões)
1º. Walmart Stores..... EUA..... 374.526
2º. Carrefour............. França..... 112.604
3º. Tesco................. Reino Unido..... 94.740
4º. Metro................. Alemanha..... 87.586
5º. The Home Depot... EUA..... 77.349
6º. The Kroger Co...... EUA..... 70.235
7º. Schwarz Unternehmens... Alemanha..... 69.346
8º. Target ............... EUA..... 63.367
9º. Costco Whosale... EUA ..... 63.088
10º. Aldi.................... Alemanha..... 58.487
Entre os 250 maiores varejistas do mundo apareceram somente dois brasileiros: o grupo Pão de Açúcar que esta em 106º. colocado (em 2006 aparecia em 111º. Lugar) e continua a ocupar o 1º. Lugar na America Latina e Casas Bahia na 147º. Lugar (cresceu 11 posições em relação à 158º. Lugar de 2006). Já na lista dos 50 varejistas que mais crescem no mundo (comparação feita entre os anos de 2002 a 2007) continua (a exemplo o ano passado) aparecendo de origem brasileira somente as Casas Bahia em 24º lugar, com um crescimento de 24,2% de média anual. O ranking é liderado pelo segundo ano consecutivo pela russa Euroset Group com um crescimento médio 108,5%, (como tudo é relativo, foi pouco em comparação ao desempenho de 2001 a 2006 que apresentava cerca de 137% ao ano).
RANKING DAS MARCAS DE VAREJO MAIS VALIOSAS
Pela primeira vez foi feito um estudo identificando o valor das marcas do varejo, à semelhança do que vem sendo feito há alguns anos para as marcas de empresas indústriais e de serviços. O estudo considerou apenas o mercado americano e foram apresentadas as 50 de maior valor apurado. O estudo é interessante principalmente em função do pioneirismo e da preocupação com a valorização da marca dos varejistas.
O ranking das 10 marcas mais valorizadas é apresentado a seguir:

CONSIDERAÇÕES FINAIS
De tudo que foi apresentado e visto há várias questões que devem ser observadas para o varejo brasileiro, tanto em termos de preocupação e permitindo que se antecipe problemas que podem surgir quanto em termos de oportunidades.
Para não tornar este newsletter muito cansativo iremos enviar regularmente mais 4 edições que aprofundarão os temas principais mencionados e farão uma análise do impacto no ambiente brasileiro.
Esperamos que a leitura tenha valido a pena, tenha sido agradável e útil.
Se surgir qualquer dúvida e ou quiserem trocar algumas idéias entrem em contato conosco por meio de secretaria@trademarketing.com.br
Forte abraço a todos e bons negócios.
Prof. Dr. Francisco Alvarez
Prof. Marcos Carvalho.
13/02/2009
Por Profs. Francisco Alvarez e Marcos Carvalho


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