A experiência na Super Casas Bahia
07/12/2008
Acordei mais tarde que o habitual, afinal como pesquisador do conceito de lojas, queria conhecer de perto a 6ª edição das Super Casas Bahia, evento que ocorre desde 2.004 e ocupa mais de 150 mil metros no pavilhão de exposições do Anhembi em São Paulo. Fui como cliente e não como pesquisador e para isso tratei de colocar a família no carro, afinal queria que as minhas impressões fossem as mais autenticas possíveis.
Logicamente escolhi uma terça-feira para que a experiência “autentica” não fosse influenciada pelas muvucas típicas de final de ano e eventos gratuitos como esse. Cheguei ao Anhembi às onze horas, depois de uma hora iniciado o expediente local, não tive nenhum problema ao estacionar – afinal são 10 mil vagas - quando visualizei uma pessoa que orientava no local, abri os vidros para que ele enxergasse minha filha, e imediatamente ele me guiou a um local mais perto do portão de entrada.
Levamos um carrinho de bebê para facilitar nosso deslocamento dentro de um local tão amplo, mas não precisava, já que eles fornecem um modelo de carrinho de criança com volante – como os de supermercado, mas sem cestas –. Logo na entrada do evento há uma grande tenda toda enfeitada e iluminada coma já manjada decoração de natal e produtos em promoção decorando o ambiente. Entrando propriamente no espaço de exposição é surpreendente a quantidade de produtos expostos, por onde você olha há pilhas de produtos, com letreiros enormes anunciando os preços.
Nas atrações fui conhecer o cinema 4d – quarta dimensão – fiquei pouco tempo na fila e em seguida assistimos uma animação sobre o aquecimento global. Tive a impressão que a maioria presente – crianças e mulheres – estava mais preocupada com a próxima atração do que com o efeito estufa. Tive a comprovação quando o Parque do Bahianinho logo em frente ficou lotado para as diversões assim que se acenderam as luzes do mini cinema.
Quatro vezes ao dia ocorre na praça central um show denominado “Natal Encantado” com 15 minutos de duração, que atrai a maioria das pessoas que estão por ali, sem contar em dois outros shows gratuitos: A Bela Adormecida e Piratas do Caribe- é preciso retiram os ingressos com antecedência - atrações que duram em média 25 minutos onde todos ficam sentados no chão e têm a oportunidade de tirar foto com os personagens no palco.
Para os pequenos, ainda há um parque fechado para as atividades com monitores, espaço para fazer pinturas no rosto, trenzinho encantado e é claro o papai Noel sorridente e acessível – não garanto isso para final de semana – Para os adultos havia aulas de informática, onde o professor ensinava os conceitos básicos sobre a Internet e ainda as cadastravam com um e.mail pessoal. Outro ponto interessante era o local onde monitores ajudavam os interessados a elaborar um currículo de trabalho, os interessados saíam com cópias impressas no mesmo momento. Para as vaidosas, havia um salão de beleza e patrocinado por uma empresa fabricante de secadores e acessórios.
Para saciar a fome diante de tantas horas andando, havia uma praça de alimentação com produtos mais populares como Habibs e restaurantes por quilo, além de quiosques e carrinhos Brahma espalhados por todo evento e havia ainda guloseimas vendidas diretamente pela Nestlé.
Quando me interessei por uma lavadora-secadora uma vendedora da própria Bahia demonstrava o produto, quando questionei por outra marca, ela imediatamente levou-me a outro stand daquele fabricante. Lá ela teve a ajuda dos promotores da empresa para falar das maravilhas daquela máquina. Quando as dúvidas já haviam sido dissipadas era hora do vendedor retomar o controle e dizer: “(...) podemos fazer em até 24 vezes e ainda daremos ingressos para o Tarzan (...)”. Esta é a atração principal, porém você só pode ter acesso ao ingresso a cada R$ 120,00 gastos na loja ou a cada R$ 70,00 na loja Disney também presente ao evento. Como não gastei essa quantidade em nenhum dos locais, disse a minha filha que Tarzan era coisa de menino(!!!).
Outras atrações gratuitas foram agendadas para este evento: ônibus executivos saindo dos terminais rodoviários Tietê e Barra Funda para quem não tem carro, um concurso cultural que premiará frases de efeito sobre o evento e ainda o casamento coletivo – a disposição para 800 casais, onde cada casal terá direito a 20 convidados, champanhe para brinde, doce e foto oficial -.
Segundo informações da empresa a edição 2008 reúne 200 expositores e deve receber dois milhões de visitantes e gerar um faturamento de 80 milhões de reais e paralelo a isso abrir mais de 1.000 vagas de trabalho temporário, onde a expectativa de efetivação como sabemos são remotas já que não há como acomodar as pessoas nas lojas tradicionais.
Outro ponto que fica em minha mente é a dúvida se um faturamento desses pode pagar os investimos tão grandes que foram feitos, afinal, a sensação que se tem ao visitar a Super Casas Bahia é que há muito investimento dos fabricantes em estar presente, muita diversão e muuuuita gente presente, mas não vemos um volume proporcional de pessoas nos crediários ou nos caixas. Ou seja, mais do que um evento de venda, parece ser um investimento na marca Casas Bahia, afinal esse evento já faz parte do calendário da cidade de São Paulo e este ano pela primeira também presente no Rio de Janeiro.
Possivelmente os resultados dessa ação sejam colhidos durante todo o ano, quando os presentes ao evento tiverem uma necessidade possam recorrer à empresa que lhes proporcionou um momento tão mágico. Digo isso após permanecer no evento por mais de quatro horas e chegar a minha casa ouvir minha filha de dois anos dizer “quero voltar nas Casas Bahia, é muito legal”.
Por Prof. Marcos Carvalho


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