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Como está o marketing no País
19/11/2006

Para saber como acontece a evolução do marketing no Brasil, um dos caminhos é conhecer melhor quem são os profissionais que trabalham nesta área. A escolaridade, os rendimentos, os hábitos e, acima de tudo, como respondem às exigências transformações do mercado.

Com este objetivo em mente, a ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), entidade que completa 50 anos neste ano, encomendou uma pesquisa para a Toledo & Associados sobre o segmento.

Alguns dos resultados obtidos mostram dados coerentes ao mercado como um todo, como no caso das diferenças salariais entre homens e mulheres.

Na área de marketing os homens ganham a mais que a mulheres cerca de 50%. Eles têm média salarial de R$ 3 mil e elas de R$ 1,5 mil. Na pesquisa sobre os profissionais de vendas , os vendedores recebem 62% a mais do que as vendedoras.

Outro importante ponto abordado pelo estudo é que o número de profissionais jovens que atuam na área de gerência e diretoria de marketing é muito grande. A média de idade fica hoje entre 25 e 39 anos.

Nas décadas de 80 e 90, a faixa etária era entre 40 e 49 anos. O motivo para esta mudança é sem sombra de dúvida o investimento na formação acadêmica, como pós-graduação e MBA.

É importante ressaltar que, apesar das variantes em relação à faixa etária dos executivos, o número de mulheres que ocupam cargos de direção ainda é pequeno. Dos entrevistados, há um total de 14% no cargo de diretores, sendo que 20% são homens e apenas 7% mulheres.

HOMENS E MULHERES

Uma realidade que não fica restrita ao segmento de marketing, no estudo Síntese de Indicadores Sociais 2005, realizado pelo IBGE no ano de 2004, apenas 4% das mulheres entrevistadas ocupavam cargos de direção. Os homens eram 5,5%.

A maior proporção de mulheres em cargos de direção estava no Distrito Federal (8,0%), resultado da elevada participação feminina no serviço público federal, em que o acesso a cargos de direção se dá de forma mais igualitária que no setor privado.

E mais. Naquele ano, as mulheres apresentavam uma formação acadêmica superior à dos homens, tanto na região urbana como na rural. Apesar de muitos anos de luta pela igualdade entre as raças e gêneros, a sociedade caminha ainda a passos lentos nesta direção. Somos um mundo machista. Impulsionado a mudar, porém machista.

Na hora de contratar os profissionais de marketing, as organizações apontam como principal pré-requisito a experiência na área. Em segundo lugar vem a análise do currículo. Ou seja, apesar da boa formação acadêmica, a vivência no dia-a-dia é imprescindível para as organizações.

O estudo, que entrevistou 150 profissionais da capital paulista, mostrou que as referências literárias para a área de marketing são autores consagrados das décadas de 60 e 70, como Philipe Kotler, lido por 61% dos entrevistados.

Um número significativo (76%), trabalha com vínculo empregatício CLT, em especial as mulheres, que são 84% da amostra.

Quanto à forma de avaliação de desempenho do profissional, a mais utilizada pelas empresas é a análise dos resultados obtidos pelo alcance de metas, como afirmaram 46% dos contatados. Para 23% destes, as empresas onde atuam não promovem nenhum tipo de avaliação. Outro aspecto constatado pela pesquisa, é que boa parte destes profissionais pertence à classe B (55%), possui ensino superior completo (46%) e pós-graduação (43%), realizou um planejamento prévio para ingressar na área (55%), atua no segmento há cerca de 11 anos e tem renda média pessoal de R$ 2,3 mil.

Ao longo do meio século de existência da ADVB, assistimos nas décadas de 80 e 90 a um grande número de jovens que buscavam nos cursos de Propaganda e Publicidade a possibilidade de concretizar o sonho de ser grandes estrelas da propaganda, como Washington Olivetto e Nizan Guanaes. O marketing era apenas um coadjuvante, mais um instrumento no sucesso de grandes campanhas.

Hoje, sabe-se que o marketing é um imenso guarda-chuva e que a propaganda é mais uma das hastes que o compõem. Ele é na realidade uma fundamental ferramenta para o planejamento estratégico das empresas, que envolve desde a comunicação corporativa, relações públicas, promoção e vendas, até mesmo a propaganda e a publicidade.

O profissional que atua hoje, como deixou bem claro a pesquisa, sabe disso e busca se aperfeiçoar neste sentido, com sólida formação acadêmica, cursos de extensão e integração com os demais departamentos de uma corporação. É a era da união entre criatividade e interatividade.

Por José Zetune - presidente da ADVB (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil), da ADVP (Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing de Portugal), do Ires (Instituto ADVB de Responsabilidade Social) e da FBM (Fundação Brasileira de Marke

    

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